segunda-feira, 20 de junho de 2011

Um, hibisco.

“A cidade é nossa”, tu costuma dizer quando saímos por aí trocando passos rumo a lugar nenhum, juntando em meio aos dedos entrelaçados ideais de uma vida melhor, implorando aos céus que tudo isso nunca tenha um fim. “O mundo é muito, a rua da tua casa é muito pouco. O que a gente precisa é algo que misture marasmo e caos. Teu coração e o meu”. Eu sorrio, deslumbrada com tuas palavras subindo aos céus como balões de gás que se cansam de estarem amarrados a uma mão sem carinho. Tu sorri, porque é mais fácil ver o mundo com olhos de calma e com o coração livre de qualquer dor passada. Meu nome tá ao lado do teu em casa cartaz espalhado pelas paredes imundas dessa metrópole. Teu nome tá ao lado do meu em cada passo que nossos pés cansados de correr, dão meio a confusão de gente com pressa de tudo. Teus desejos mais secretos correm pelas tuas veias e chegam até mim quando tocas minha pele, como se de mim saísse música. E eu sempre te peço pra voltar, quando a mesma cidade que nos acolhe te quer de volta. Teus braços sempre terão meus abraços, que é pra quando cansares de sonhar a vida encontrar no meu peito um conforto qualquer. O que nós dois temos é muito mais que só amor.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Entre o meu rádio e a tua estação.

O problema na verdade tá nesse gostar absurdo. E eu gosto tanto de ti. Gosto do jeito que tu me olha, cheio de si por trás de um bilhão de incertezas. Gosto do jeito que tu sorri, apertando levemente os olhos e fazendo meu peito encher de coisas que eu nem sabia que existiam. Eu gosto do jeito que tu fala, da tua voz firme e da certeza que tu passa em tudo que diz. Gosto do cheirinho que tu tem entre o ombro e o pescoço. Gosto das tuas mãos e da firmeza com que segura minha cintura, me puxando pra mais perto. E eu fico louca com esse tanto de coisas que fazem um sentido quase absurdo pra mim. Não sei ficar longe quando o que eu quero é estar cada vez mais perto. Não sei me fazer de desinteressada quando meu interesse por tudo isso é quase tocável. Não consigo fazer de conta que não gosto, quando eu gosto até demais. É que eu vejo em você uma segurança que não se explica e também nem requer explicações. Só de te olhar parece que o meu mundo todo desajustado e fora de hora toma forma e volta ao seu estado normal. Eu poderia te querer menos. Mas não há como, eu quero tanto você que fica difícil até mesmo tentar disfarçar. Olha, quando eu digo que tô com saudade é porque um pedacinho do meu coração tá quase indo embora. Quando eu digo que quero um abraço é porque eu preciso dos teus braços ao redor de mim pra reconstruir um pouco do que desabou quando tu me deixou solta. E sabe, é o teu jeito de ver as coisas. Esse jeito que ninguém tem, de mesmo com tudo em volta caindo conseguir ver beleza no que ainda sobrou. Eu não tenho medo de quando você some por uns dias. Eu tenho medo mesmo é de conseguir entender que eu posso caminhar sem você. Porque eu não quero. E eu quero continuar quebrando essas promessas idiotas que eu faço a mim mesma quando você chega mais perto. “Nunca mais vou escrever sobre gostar de ti”. E veja só, cá estou eu falando sobre o quão encantadora é a tua presença. E olha guri, tu ainda vai saber sobre tudo isso que eu escrevo aqui agora. Eu prometo.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A esquina da apatia com o medo.

Parece que os filmes de hollywood finalmente conseguiram nos convencer de que nossos roteiros são completamente sem graça. "Mais emoção, mais suspense, mais drama, mais tragédia, por favor." E então, como se levar a vida tentando manter as coisas (um pouco) sob controle já não fosse suficiente, a gente começa a se arriscar. Arrisca os sentimentos, arrisca o emprego, arrisca o dinheiro, a confiança dos outros, arrisca a saúde. Arrisca porque acha que não tem mais nada a perder no meio dessa apatia toda. Aí então começam as apostas em tudo que não presta, como se fosse só gritar a produção e chamar por assistência quando alguma coisa der errado. A gente cai, tropeça, perde, chora, levanta, cai mais uma vez. Passa a achar que tem sete vidas, que sobrevive à batida de carro e a coração partido. E mesmo quando alguém que quer nos mostrar o quão absurdo é viver assim tenta nos avisar que essa atitude completamente imbecil vai acabar em lágrimas e noites ao lado de uma garrafa de vinho com onde só uma taça se faz presente, não adianta: por pura falta de emoção nessa vida, a gente decide viver o que sempre esteve destinado ao fracasso. E por fim, aprende a viver nesse eterno looping que é querer achar um significado cósmico por trás de tudo que acontece.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Borboletas.

Eu poderia ter ignorado aquele sinal quando te vi cruzar a rua e deixar um leve sorriso no ar, como quem quer me resgatar do fundo do buraco que eu mesma havia feito. Eu poderia sim ter feito de conta que não te vi, que não te senti, que não te quis. Eu poderia tocar a minha vida em frente, sem qualquer mudança ou alteração significativa. Voltaria pra casa, a velha monotonia de sempre. Um banho, um café e o meu travesseiro pronto pra ouvir sobre o quão tudo é injusto e sobre como eu não sei fazer nada certo. Sim, eu poderia. Mas alguma coisa no fundo daqueles olhos castanhos me fizeram seguir em frente. Era como se eles dissesem pra mim -“Não desiste. Por favor, não desiste”. Resolvi deixar de lado todas as minhas teorias sobre amor, solidão e falta de carinho e comecei a pensar ‘Ué, porque não?’. Claro que é pra sentir um pouco de medo quando a vida te joga assim do nada, tudo que mesmo duvidando, tu esperou por tanto tempo. Mas e agora, que nem medo eu conseguia mais sentir? Me atirei em ti cegamente, aceitando a ironia dessa coisa absurda que chamam de destino. E no meio da confusão e da minha falta de fé, encontrei o abraço mais aconchegante e o colo mais seguro. O beijo mais intenso, o sorriso mais bobo e a voz mais reconfortante. E a guria que antes era toda segura de sí e duvidava de toda essa coisa que insistem em dizer que já estava escrito em algum lugar e que era para acontecer, agora escreve sobre como é bom ter alguém por perto e sobre como é encantador pegar o telefone e discar para alguém que do outro lado da linha tem o mundo nas mãos. O meu, mais precisamente

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Fotos na estante.

O problema é que cansa falar de ti como algo fora do meu alcance. Cansa porque é mentira. Porque você não tá longe. Tá é perto demais. Perto da minha cabeça, perto da minha casa, perto da porta de entrada. E quando eu me dou por conta, invadiu cada centímetro do meu apartamento. Cansa porque tu espalhou um pouquinho de ti por cada lugar que eu passo e eu não consigo te apagar daqui. Pudera, nem mesmo quero. Passei um pouco de verniz e esperei secar. Deixo tudo que te faz lembrar ali, intacto. Que é pra quando a saudade chegar de mansinho querendo me amedrontar eu ter onde me segurar. Não são tuas mãos, mas são as coisas que tu fez questão de deixar comigo. Não são teus abraços, mas é um pouquinho de ti me pedindo pra ficar. Não são teus beijos, e sim a falta deles que me faz implorar por um pouquinho mais. E te guardo aqui, calada. No fundo do peito, bem longe de qualquer mal. Que é pra quando você me quiser em silêncio mais uma vez, eu te convidar para entrar. Porque eu sei que você vai embora, mas que mesmo fingindo que não, uma parte de ti sente saudade de mim. Eu sei que sente. Calado, mas sente.

domingo, 3 de outubro de 2010

Minha doce colisão.



Então você aparece assim, do nada e colide em mim. Foi sim uma colisão. Daquelas onde não ocorrem ferimentos, mas que inváriavelmente um dia você vai descobrir uma cicatriz escondida. Passei a ver o céu de outra cor e a sentir melhor o gosto do mundo. Peraí, isso não se chama amor. Já disse, apelidei carinhosamente essa carga de coisas novas para sentir de colisão.  Tenho feito o meu melhor para entender tudo isso. Metade de mim tem certeza de que eu só comecei a fazer sentido de verdade depois que você cruzou meu caminho. Outra parte de mim duvida de tudo, inclusive do que você sentiu quando isso aconteceu. Fiz pactos, planos e mudei um monte de coisas de lugar desde que você apareceu na minha vida. Tenho feito o sol entrar com mais força para dentro da minha casa, invadindo cada centímetro da minha pele e me fazendo sorrir. Venho sendo mais cuidadosa também, e parece que aquela menina desastrada sumiu. Ando cuidando mais de mim, do meu coração, da minha mente sempre tão congestionada. Tenho vontade de abraçar o mundo todo de uma vez só. Compreender tudo o que você trouxe a minha existência até então pouco brilhante levou tempo. Eu, como gosto de tudo no seu lugar e tudo ao seu tempo, demorei para assimilar como uma pessoa pode fazer tão bem a outra sem esperar nada em troca. Ok, eu sei que soa até um pouco clichê, mas até nossos gostos são parecidos. O que eu esperava de ti, você me deu sem que eu precisasse dizer. E aí então eu percebi que ninguém pode viver completamente sozinho e ser completamente feliz ao mesmo tempo. É necessário sim a certeza de ter alguém para quem ligar quando bater aquela dorzinha no peito,  ou esperar inconscientemente por uma ligação e ela chegar as 3 da manhã de um sábado tristonho fazendo brotar sorrisos que de modo algum iriam aparecer sozinhos. Ou só ter alguém para levar sempre junto na memória, quando vai tomar um café na padaria da esquina ou quando tem que correr contra o tempo para chegar no horário certo. Bom mesmo é poder parar um pouco no meio dessa vida agitada e sem tempo e pensar que apesar de tudo, tem alguém que leva um pouquinho de ti na memória também. Agora, só  me resta crer que mesmo quando ficamos dias sem nos ver, tem um pedacinho de mim perambulando por aí contigo em meio a notas músicais, distorções de guitarra e versos bonitos. Continue me deixando assim, cada dia mais boba e radiante com o mundo, minha doce colisão.