quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Fotos na estante.

O problema é que cansa falar de ti como algo fora do meu alcance. Cansa porque é mentira. Porque você não tá longe. Tá é perto demais. Perto da minha cabeça, perto da minha casa, perto da porta de entrada. E quando eu me dou por conta, invadiu cada centímetro do meu apartamento. Cansa porque tu espalhou um pouquinho de ti por cada lugar que eu passo e eu não consigo te apagar daqui. Pudera, nem mesmo quero. Passei um pouco de verniz e esperei secar. Deixo tudo que te faz lembrar ali, intacto. Que é pra quando a saudade chegar de mansinho querendo me amedrontar eu ter onde me segurar. Não são tuas mãos, mas são as coisas que tu fez questão de deixar comigo. Não são teus abraços, mas é um pouquinho de ti me pedindo pra ficar. Não são teus beijos, e sim a falta deles que me faz implorar por um pouquinho mais. E te guardo aqui, calada. No fundo do peito, bem longe de qualquer mal. Que é pra quando você me quiser em silêncio mais uma vez, eu te convidar para entrar. Porque eu sei que você vai embora, mas que mesmo fingindo que não, uma parte de ti sente saudade de mim. Eu sei que sente. Calado, mas sente.

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