domingo, 6 de fevereiro de 2011

A esquina da apatia com o medo.

Parece que os filmes de hollywood finalmente conseguiram nos convencer de que nossos roteiros são completamente sem graça. "Mais emoção, mais suspense, mais drama, mais tragédia, por favor." E então, como se levar a vida tentando manter as coisas (um pouco) sob controle já não fosse suficiente, a gente começa a se arriscar. Arrisca os sentimentos, arrisca o emprego, arrisca o dinheiro, a confiança dos outros, arrisca a saúde. Arrisca porque acha que não tem mais nada a perder no meio dessa apatia toda. Aí então começam as apostas em tudo que não presta, como se fosse só gritar a produção e chamar por assistência quando alguma coisa der errado. A gente cai, tropeça, perde, chora, levanta, cai mais uma vez. Passa a achar que tem sete vidas, que sobrevive à batida de carro e a coração partido. E mesmo quando alguém que quer nos mostrar o quão absurdo é viver assim tenta nos avisar que essa atitude completamente imbecil vai acabar em lágrimas e noites ao lado de uma garrafa de vinho com onde só uma taça se faz presente, não adianta: por pura falta de emoção nessa vida, a gente decide viver o que sempre esteve destinado ao fracasso. E por fim, aprende a viver nesse eterno looping que é querer achar um significado cósmico por trás de tudo que acontece.

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